segunda-feira, 8 de junho de 2009


Direto de Direita


- Por que não faz a barba?
- Por que não corta o cabelo?
- Por que não limpa esse seu tênis todo manchado?
- Por que não usa calças descentes?
- Por que não se sente direito?
- Por que fala desse jeito?

Tem dias que o melhor é quebrar o nariz dos imbecis.

terça-feira, 2 de junho de 2009


Náufragos

As emoções diminuem e poucas coisas parecem ter graça diante dos olhos cansados de ver demais.
Como a utopia pode ser o caminho possível, se dizem que sequer é um caminho?
Respostas soam como pedidos de desculpas.
Então, românticos engajados tornam-se ilhas.
Utópicos compulsivos tornam-se pequenos naufrágios carregados de ouro.
Mergulhados no fundo, são um azar.
Na superfície, são tesouros.

segunda-feira, 1 de junho de 2009




Não se meta

Ela não parava de me olhar e com a falta de luminosidade, também parecia ter um sorrisinho simpático. Resolvi puxar conversa.

- Oi, tudo bem?

- Sim, tudo bem. Eu te conheço, sabia?

- Me conhece?

- Sim

- De onde?

- Da casa de um amigo em comum.

- Desculpe. Não me lembro de você.

- Eu estava com uma amiga, namorada dele...

- Me lembro da ocasião, mas não me lembro de você.

- Claro, você se acha...

- Não me acho. Eu sou míope...

- Sei...pra mim você tem cara de metido.

- Pois é. Você tem cara de quem não é metida...há bastante tempo, inclusive.

quinta-feira, 28 de maio de 2009


The simple life

Quero comer a Paris Hilton e toda a sua futilidade outra vez. Era muito bom ver nos olhinhos dela aquele ar de quem está fazendo uma coisa deliciosamente errada, com alguém com quem não deveria.
Quero comer a Paris Hilton e toda a sua futilidade outra vez. Era bom ver como ela era mais feliz me chupando dentro de um carro minúsculo, da maneira mais desconfortável possível, que naquele motel de mau gosto com nome de castelos, paredes cor de salmão, onde você deixa o olho da cara pra pagar a conta e corre o risco de levar pra casa uma brochada de troco.
Quero comer a Paris Hilton e toda a sua futilidade outra vez. Nos estacionamentos de clinicas estéticas, nas ruas desertas dos bairros elegantes, na sacada da casa do papai, com um cinzeiro cheio de cigarros, baganas e copos de wisk espalhados pelo chão.
Quero comer a Paris Hilton e toda a sua futilidade outra vez. Escutando seus conselhos de como ser feliz, ter sucesso, andar bem vestido e ser admirado. Observando sua preguiça e seu tédio. Assistindo a sua esperança de se casar com um cara bonito, rico e disposto a bancar sua loja de roupas bacanas e seus cremes para a pele, enquanto passa a vida reunido para falar de negócios, prostitutas, carros e conquistas com outros belos maridos igualmente ricos e ocupados.

quarta-feira, 27 de maio de 2009


Vá, mas não me chame

- Você é ator?

- Sim, sou...por que?

- Tenho uma curiosidade:

- Qual é?

- Por que você não quis ser cenógrafo, diretor ou autor?

- Nunca pensei nisso.

- Nunca pensou nisso?

- Sim, nunca pensei nisso.

- Em que você pensou quando decidiu ser “ator”.

- Não sei. Sempre gostei.

- Gostou do que exatamente?

- De ser ator.

- Então você já nasceu ator? Já era ator antes mesmo de ser ator?

- Não. Não é isso.

- Por que não tentou ser autor, já que gosta tanto?

- Porque não tenho talento pra isso.

- Quer dizer que pra ser ator não precisa talento?

- Claro que precisa.

- Mas pra ser autor também.

- Bem...não é bem isso.

- Acho que estou te confundindo. Estou sendo inconveniente não é?!

- Sim, está. Não sei aonde quer chegar com esse assunto.

- Me desculpe. Só queria dizer que com esse seu talento, você devia ser atriz e não ator.

terça-feira, 26 de maio de 2009


Decodificando tolices

Não me lembro mais. Tenho memória de peixe. Sinceramente, não me lembro de ter a universidade, dois bares, festa na casa dos coleguinhas de sala e república dos mano como meu universo particular. Minha cabeça tinha muitas idéias e eu as levava à sério. Eu inventei o jet-ski e a suspensão monochoque para bicicletas antes de existirem. Eu inventei uma marca de surfwear bem longe do mar. Eu imaginava como viver viajando o mundo, pelo resto da vida. Eu criei barcos e dei nome de mulher a cada um deles. Eu construí aviões e dei a volta ao mundo com eles. Eu imaginava um amor pra sempre, com cachorro, filhos e trepadas cheia de romance num balão branco que se parecia com nuvens. A faculdade, os dois bares, a festa na casa dos coleguinhas de sala e a república dos mano eram coisas passageiras demais pra me prender. Na verdade, eram um empecilho para meus delírios. Sou um idiota. Deveria ter acreditado neles e desconfiado do resto.

quinta-feira, 21 de maio de 2009


Lucy in the Sky

Estamos 30 metros acima de tudo meu amor. Daqui sinto o vento forte que me joga suavemente de um lado pra outro. Estamos seguros por fios bem finos presos às nuvens.

- Mas não há nuvens no céu meu amor, você diz.

O vento ficou mais forte e me fez girar.

- Estes dias azuis cheios de vento me fazem querer voar contigo meu amor, sussurro baixinho.

Você segura em minha mão, me olha do mesmo jeito lindo que me olhou pela primeira vez naquele dia confuso e escuro:

- Somos o vento meu amor. Vamos voar delicadamente. Vamos assistir o fim daqui de cima meu amor. Vamos ver as pessoas como pequenos hamsters andando pela cidade, ocupando seus pequenos espaços. Enquanto estão atarefados com suas pequenas obrigação, voamos cada vez mais alto meu amor.

- Sim. Nus entre aquelas escarpas onde o sol brilha em laranja e as nuvens são lilás.