quarta-feira, 11 de março de 2009


Xeque Mate

Sabe quando o cara tenta segurar o grito na ladeira? Não adianta. Pode ser mano, pode ser brother. Tem mulher que devia se chamar problema. Seca a boca do corajoso, gela o estômago do fraco. Segurou a onda, meteu orgulho, manteve a postura, controlou a voz. Nunca tinha visto uma coisa tão linda como aquela. A voz, a prosa, a boca. Vixi. Vai ganhar ou vai passar?

- Acho que já vou sair.

- Já ta na hora do teu almoço né?!

- É... tô com fome...eu vivo com fome

- O que você gosta de comer?

- Gosto de comida árabe

- Eu sou árabe

- ...(touchè)

Hungry Heart


Gostei demais de ouvir você dizer “gastronomia é comer olhando pro céu”.
Também acho buniteza...meu banquete.

terça-feira, 10 de março de 2009


Little Pussy

Chance ou revanche?
Clinch ou punch?

segunda-feira, 9 de março de 2009




Hey, eu quero ser o seu amigo de novo

“Por que a gente sabe, que a gente sabe demais, sobre nós dois...” Amanheci com essa música na cabeça. A gente já falou sobre o assunto e tudo ficou claro e resolvido. Mas durante esse monte de dias que eu não te vi mais, pensei em dizer algumas coisas: fiquei com vontade de te encontrar e conversar. Queria sua companhia sem interrupções. Desejei te conhecer um pouco mais.

Não quis deixar a impressão de que peguei no seu pé, mas provavelmente foi isso que aconteceu. Me precipitei e me joguei no precipício. Ainda carrego todas essas vontades e isso já não faz mais diferença. As coisas seguem seu rumo, mas deixá-las por conta do destino, sem que eu possa fazer absolutamente nada, me deixa ansioso. Ainda assim, a vida segue quase sempre cega. Você com sua rotina bem resolvida e segura. Eu com meu cotidiano frenético de responsabilidades e irresponsabilidades. Somos tão incompatíveis assim?

quinta-feira, 5 de março de 2009


Terceira Pessoa do Plural

Descobriu depois de tudo.
Dos olhos quase verdes
Do cabelo quase desleixado
Daquele banquete de volúpia já criado.
Ele era a terceira pessoa. Era.

Coma

Não sei cozinhar. Não quero aprender.
Gosto de feijão com arroz e farofa apimentada.
Cabe em qualquer lugar, exceto à mesa do esnobe gourmet.
Tenho a língua afiada e mais um monte de ofensas ensaiadas.
Quero aprender a construir barcos pra colocar seu nome em todos eles.
Vou ler cartas náuticas de dia e reler as suas à noite.
Sujeito elegante e sem classe.
Bebe cachaça com leveza, arrotando ovos fritos.
Vinho te deixa tão linda e bêbada, quase em coma.
Essa taça me deixa louco, quase sem sombra.

terça-feira, 3 de março de 2009


Preciso vegetar

Preciso tomar outra dose do Vegetal. É incrível como aquilo mexe com a gente de um jeito muito diferente de qualquer outra droga que você já tenha experimentado (se é que experimentou alguma). Na verdade, é diferente de qualquer outra experiência psicológica (se é que já teve alguma). O efeito dele na sua cabeça é como um espelho que reflete você mesmo. É uma experiência inigualável e reveladora.

Tem um gosto de terra. A onda parece aqueles bons conselhos que a gente precisa ouvir, mas ninguém fala. Melhor ainda. Parece conselhos dados por sua melhor parte, para a sua pior parte.

Preciso vegetar.

O Vegetal é um dos nomes dado ao famoso Santo Daime, chá de origem indígena amazônica e que, segundo consta, foi criado pelos Incas peruanos. Ayoasca: este é o nome original do chá feito a base da folha Chacrona e do cipó Mariri. Eu nunca esqueci esses dois nomes. Passei um ano da minha vida tomando o chá nos finais de semana com um bando de desajustados, rejeitados socialmente, ex-gays, ex-drogados, gente que precisava desesperadamente se encontrar de alguma forma. É aquela coisa: vamos tomar um chá pra gente se achar.

Mesmo assim, eu ando precisando vegetar.

Diz a lenda que quando você vomita depois de tomar, é porque você está com a alma suja, precisando ser limpar, “organizar a casa”. Eu nunca vomitei. Só tive onda boa. Estava com minha alma em dia, a casa em ordem, pelo que tudo indica. Deixei de freqüentar o lugar porque sou avesso a religiões, hierarquias e tudo que compõem estas sociedades. Ali eu tinha que chamar de mestre, pessoas que eu não considerava porra nenhuma. Gente tão perdida e imperfeita quanto eu ou você. Deixei claro desde o começo que eu estava ali apenas pela onda do chá.

“Aqui a gente não toma o chá. A gtente bebe. Aqui ninguém toma nada de ninguém”. É mole? “O chá não é droga, é uma ligação mística com Deus”. “O chá não dá onda, dá borracheira”. Pode ser. Mas pra mim não passa de um artifício para deixar a cabeça do cara em paz e a vida tranqüila. Quero ver os caras sentirem o que sentem sem uma gotinha do chá ou como gostam de dizer, sem o conhecimento do Vegetal. Quero ver fazer como os budistas que meditam e meditam, sem adereços e acessórios.

Mesmo assim, preciso vegetar. Ando um pouco desajustado.